B1 · Lição 10 de 12
Pronomes Oblíquos e Colocação Pronominal
Me diga ou diga-me? A regra que organiza onde o pronome vai na frase.
Introdução
Este é um dos traços mais próprios do português — nenhum outro idioma que a maioria dos estudantes já conhece organiza a posição do pronome exatamente da mesma forma.
Ao final desta lição você vai conseguir…
- Usar os pronomes oblíquos átonos (me, te, o/a, lhe, nos)
- Reconhecer quando usar próclise (antes do verbo) e ênclise (depois do verbo)
- Entender por que o português falado no Brasil prefere a próclise, mesmo onde a regra formal pede ênclise
Explicação
Explicação
Os pronomes oblíquos átonos substituem objetos diretos e indiretos: me, te, o/a, nos, lhe(s). "Eu vi o filme" → "eu o vi". "Eu dei o presente para ela" → "eu lhe dei o presente".
A colocação pronominal tem três posições possíveis: próclise (pronome antes do verbo — me chamo), ênclise (pronome depois do verbo, com hífen — chamo-me) e mesóclise (pronome no meio do verbo, só no futuro — encontrar-te-ei, raríssimo). A regra formal escrita usa próclise depois de palavras negativas (não, nunca, ninguém), palavras interrogativas, conjunções subordinativas (que, se, quando) e certos advérbios; usa ênclise quando o verbo inicia a oração.
Na fala cotidiana do Brasil, porém, a próclise é fortemente preferida em quase qualquer situação — inclusive no início da frase: "Me chamo João" é natural e universal no Brasil falado, mesmo que a regra escrita formal preferisse "Chamo-me João".
Regras da Gramática
As Regras
- Próclise (pronome antes do verbo) depois de: não/nunca/ninguém, palavras interrogativas, que/se/quando, alguns advérbios
- Ênclise (pronome depois do verbo, com hífen) quando o verbo inicia a oração — mais comum na escrita formal
- Mesóclise (pronome no meio do verbo) só com futuro do presente/pretérito, em registro muito formal/literário — raro
- Na fala brasileira cotidiana, a próclise é preferida quase sempre, mesmo no início da frase
- Lhe/lhes substituem objeto indireto (para ele/ela); o/a/os/as substituem objeto direto
| Pessoa | Objeto direto | Objeto indireto |
|---|---|---|
| eu | me | me |
| você/ele/ela | o/a | lhe |
| nós | nos | nos |
| vocês/eles/elas | os/as | lhes |
Exemplos
Veja na Prática
- Eu não te vi na festa ontem.
- Quando você me ligar, eu respondo.
- Ele me disse a verdade.
- Diga-me a verdade. (formal) / Me diga a verdade. (comum no Brasil falado)
- Nunca lhe contei esse segredo.
Erros Comuns
Fique Atento
Evite"Não chamo-me João" (ênclise depois de negação)
Use assim"Não me chamo João"
Depois de palavras negativas, a regra pede próclise — o pronome antes do verbo.
EviteAchar que "me chamo João" no início da frase está sempre errado
Use assimreconhecer que é a forma natural e correta no português falado do Brasil
A próclise no início da frase é amplamente aceita e até preferida na fala brasileira, apesar de a norma escrita mais tradicional preferir a ênclise nesse caso.
Evite"Eu vi lhe no parque" (usando "lhe" como objeto direto de pessoa)
Use assim"Eu o vi no parque" / "Eu vi ele no parque" (informal)
"Lhe" é objeto indireto (para ele/ela); para objeto direto de pessoa, usa-se o/a (formal) ou o próprio pronome pessoal (ele/ela, comum na fala informal).
Na dúvida sobre onde colocar o pronome ao falar, siga o padrão do Brasil falado: coloque o pronome antes do verbo (próclise) — funciona na esmagadora maioria das situações do dia a dia.
Exercícios Interativos
Praticar
Complete cada exercício e clique em Enviar para ver sua pontuação e uma explicação de cada resposta.
Resumo
Revisão
- Próclise (antes do verbo) depois de negação, palavras interrogativas e conjunções subordinativas.
- Ênclise (depois do verbo, com hífen) quando o verbo inicia a oração — mais formal/escrita.
- Na fala cotidiana do Brasil, a próclise é preferida quase sempre, mesmo no início da frase.